terça-feira, 5 de outubro de 2010

Morto - Vivo





A tristeza é tão comum que já não tem intensidade...
É curta, em curto tempo se transforma em calmaria.
É difícil entender meu estado, minha calamidade...

Me esforcei pra chorar até secar...
Não chegou ao fim minhas lágrimas,
Mas não consegui derrubá-las, não sumiu minha voz.

Não tive forças para botar para fora o que apertava,
Isso não é o fim da dor, é um modo diferente de sofrer.
Modo pobre, de um sujeito nobre... 

Que com o coração em trapos
Lamenta por não poder, e não pode!
Eu não sei por que...


Tão desesperado para se despedaçar, se esforça... 
Mas não sabe como tirar o que nele habita há tempos, 
Tem que continuar a se carregar, meio morto-vivo, um pé lá, um pé cá.

É difícil se livrar dos fantasmas,
 Q
uando se está acostumado com essa companhia
A lhe ombrear...

É difícil se livrar dos motivos que lhe dão esperanças
De um dia sentado em um colo chorar, chorar, e chorar...
E quem sabe se sentir aliviado o suficiente para tentar recomeçar.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Tortura



Me alimento a fim de saciar essa fome.
Não é de pão essa ânsia,
Não é de doce a ganância...

Essa cede não é de água,
Nem é do vinho que me embriaga.
O sono não me tira o fardo de cansado...

Jurava que acabaria tal severa perseguição na fuga,
Mas distante de ti ainda lhe encontro...
Cá nas lembranças que me levam ao teu encontro.

Distantes, tão próximos...
Que em instantes trazem lado a lado, 
A mágoa de um amor mal acabado.

Jurava que na fuga de mim
Me tirava a saudade de ti,
Mas no desencontro, eu o reencontro...

No vazio em que esperava ao me abandonar,
Achei a mesma tristeza do vazio, que me achou
 Depois da perda de lhe amar...

Tentando recomeçar, perdido em meus pedaços,
Lhe encontro integro em meu coração...
No mesmo lugar, a me torturar.




sábado, 7 de agosto de 2010

Ofertado



Estive pensando em nós dois...
Corta-me o peito quando partes,
Perco-me em saudades que atropelam a noite.

Toma-me em lembranças,
Perco-me em esperanças
De te ter sem fim..

Volte para mim sem ter hora de partir.
Prenda-se a nossa cama,
Juro lhe fazer feliz...

Disponho de carinho eterno,
Companhia alegre e amor bem leve,
Tu terás de mim.

Se tiver liberto do resto do mundo
Siga o caminho,
Que lhe espero o quanto, para fugir daqui.



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pátria




Nas nuvens ecoam o som da morte,
Ecoam sons de disparos covardes...
Discórdia da guerra, alarde de início ao fim.

Misericórdia pede toda gente,
Dessa corja de porcos eloquentes,
Nessa farda o sangue inocente.

Ecoam as dores, lágrimas e gemidos, tantos sem abrigo,
E roncam as barrigas de nossos filhos...
Enlouquecedor os berros de fome de nossas crianças.

Há tanta diferença nessa semelhança.
Já se perdeu a integridade, depois de tamanha maldade
E lutas contra vontade...

Pátria mãe gentil, onde foi parar a sua gentileza?
Que pátria é essa de bandeira triste?
Que carrega choro e tanto desgosto...

Passa os anos dentro, desse ventre incomodo...
A se debater, a se agredir, a se defender,
E não nasce vida, e não sai da lama.

O povo chama, o povo clama, o povo grita!


terça-feira, 20 de julho de 2010

Perfume dos bandidos




O doce perfume das rosas
Não perfumam mais que ti.
O toque suave que queima,
O quente calor do teu corpo no meu.

O leve acariciar das línguas,
Molhadas, emaranhadas...
O bruto encontrar dos órgãos perdidos,
A fuga e encontro de dois bandidos...

Lhe seca a garganta e molha o resto...
Banhados a pecado por nossos gestos.
Nas maravilhas de instantes
Entre o céu e inferno.

Os pedaços do nosso amor
Pelo quarto, pela cama, pelo teto.
A saída de nós dois desse labirinto inquieto,
O termino exausto de amar por completo.


domingo, 4 de julho de 2010

A Falta




O despertar com sono,
A falta de cor de um amanhecer monótono...
A falta de vida na própria vida, dia após dia.

A falta de força no fraco que olha.
A hora que passa, o tempo que corre,
O corpo que morre, e morto já está.

Quem tira da tumba o defunto é o relógio...
Que toca exato, não liga pros fatos,
Nem como estás.

É tudo tão bruto nesse seu mundo,
É um grande absurdo a vida que leva,
A carne onde mora...

A falta de riso nos olhos que choram,
A falta de choro no resto do povo,
A falta de loucos que deixa assim.

A demasiada sanidade é uma grande maldade...
Que nos confina aqui, que nos condena ao fim,
Triste fim.


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pedaços em embaraços




Papel na mão, na outra um lápis e uma saudade...
Você se foi e retornou,
Me arrancou todo um amor.

Me deixou e agora volta...
Como se nada tivesse acontecido,
Como se ainda estivesse vivo.

Com essa volta o que em mim morreu
Ressuscitou, e eu tão dura comigo mesma, 
Já não tenho certeza...

Do que digo, do que sinto, do que faço
Em meio esse embaraço, 
Me deixou em pedaços...

Não sei se o que agora cola tá no devido espaço,
Ou se são sobras do que um dia foi,
E perdido em cacos volta a me atormentar.

Não chora peito o que os olhos vêem
É uma lembrança corrupta, de uma entrega absurda
A quem lhe fez sofrer...

Quem dera eu ter poupado essa dor,
Quem dera eu ser cigana, vidente que não se engana.
Quem dera eu não ter chorado, quem dera ... 

Não tivesse ficado nessa doce espera,
De quem não sabe qual,
O final... Qual?