quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Equilibrista



Quantos versos não terminei...
Por achar tolo dizer no meio do irracional,
Da falta de certeza que é.

Quantos versos irei deixar,
Por não querer atravessar a linha dos meus limites,
Dos seus avessos tão insistentes...

Versos guardados, empoeirados...
Linhas jogadas ao azar,
Da corda bamba que a gente é.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Abismo



Deitei, não dormi, olhei em volta e despertei.
Eu me perdi em uma trilha de erros que eu criei,
E é tão difícil ver além do ponto onde se está.

Eu não quero repetir os meus erros tão repetidos,
Me vi em volta de medos tão reais...
De histórias épicas, aparentemente tão fictícias.

Percebi o quão vulnerável eu posso ser... 
No tumulto que vem em minha direção como um ímã.
Percebi que não vou a lugar nenhum sem ter certeza.
Percebi que sou compulsiva por certezas,
Certezas essas que eu nunca tive.

Eu percebi que sou completamente insegura,
Por trás dessa muralha de segurança,
Montada a guerras comigo mesma.

Percebi que dentro de um metro e trá lá lá para cima,
E centímetros para os lados, eu sou um pote!
Um pote de sentimentalismo bobo,
Que dói quase o tempo todo, quando não sorri.

Eu descobri que eu falhei ao conjugar os outros.
Por ajudar o tempo todo, eu nunca olho onde estou.
E só agora eu percebi, o quanto de ajuda me faltou,
Por sempre parecer estar tão bem.

Eu acordei no meio de uma queda...
Estou caindo no meu buraco tão egoísta
Faz tanto tempo, mas ninguém viu...
Nem mesmo eu!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Entende...




Entende! Sou muito...
Para quem me quer aos poucos irei sempre transbordar.
Até cansar e sair, pela primeira porta que abrir...
As esquerdas de me recolher e me resguardar.

Entende? Me canso com facilidade...
Da fragilidade de me sentir em um banco de espera.
Eu não tenho calma, vou correndo até que me parem,
Para repensar se vale viver no minuto em que se está.

Entende? Me abraçar requer a força e a delicadeza,
De compreender minha urgência que exagera aos montes. 
Eu não acho fácil me fazer ficar...

E por mais que tenha se transformado em cansaço,
O meu clichê de saber fugir no momento certo, 
Ainda quero um canto que segure meu peso de sentir demais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Reflexo




Eu vejo refletir no espelho uma imagem quase cansada,
De quem não se cansa de tentar de novo...
Só por não ter opções.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sem nexo...




Era um mundo de possibilidades,
Um mundo de sonhos sem leis.
Era um estoque de sorrisos pulando,
De uma falta de sentido no ar...
Eram instintos sobreviventes.

Era um tanto do que imaginei,
Com perdas a mais, razões a menos.
Mas gostava de ser, quando podia.
Agora sumiu, virou medo dos sonhos 
Que escorreram pelas mãos.

Agora não sei... 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Um mar de dores




Eu vi teu mar bater nas pedras,
Voltar, bater nas pedras.
Um mar de dores...

Sentei na areia,
Pra te assistir molhar meus pés,
Mudar tuas ondas...

Entende, não vou sair daqui.
Eu nunca fui a lugar nenhum...
E as dores passam.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Uma crônica mal feita...




Entre os sapatos jogados pelo quarto e os óculos embaçados, a vontade de um amanhã. Se perdia em medos de sua imaginação cansada, as cores do entardecer mostravam mais um dia perdido em seu pessimismo sujo, e a calma submissão incomodava os resíduos de esperanças.

Um cigarro atrás do outro, assistindo os seus não feitos, tristeza batendo no meio de conclusão alguma. Era apenas um corpo em repouso com seus dilemas, da cama para a cadeira, da cadeira para cama, e a tentativa de uma escrita que não vinha.

No pouco movimento as horas passavam engasgadas, forçados minutos correndo, e ela parada. No mudar de cores, no cair de luzes não se importou com tempo, ainda caída na cama se desfaz em sentimentos, pensamentos desorganizados embolados com a coberta, a vontade de dormir e a muita falta de sono. Se revira pelo espaço vago, inimiga solidão.

Entre o barulho de si para o quarto, entre o silêncio da rua para um eco, nada fazia sentido a não ser uma espera vazia de algo que não fazia ideia, ela queria ser salva... Mas na falta de herói, planejou fugir para o céu, planejou se sentar numa nuvem, jogar seus medos lá de cima. Ela planejou rir de deboche por se sentir abstrata demais, planejou brincar com as estrelas e esquecer dessas mágoas, de quem cresceu depressa, de quem se machucou à beça.

Ela não queria partir, só precisava de descanso, de um canto que abraçasse suas incertezas. Ela precisava acreditar no mundo, para jogar as fichas assim que voltasse do céu, do quarto, da cama, assim que voltasse para si.

Ela precisava se sentir Bem-Vinda! Ela precisava voltar para casa, mas apesar da pressa, se perdia pelo caminho do medo de não se achar, no meio dessa confusão. Até que então adormeceu, com o cansaço e receio de que o amanhã fosse igual. Amanheceu na cama, de onde não havia saído, e o resto eu conto depois...