quinta-feira, 29 de abril de 2010

Confusa Briga




E eu brigo com a vida,
Desiludo com pessoas,
Me revolto com o redor,
Me rodeia a confusão...

Sou descrente dos amores,
Me apaixono sem razão.
Sou tola inocente,
Machucada e magoada,
Sou ferida dolorida,
Sou descrente dessa vida.

Dou bom dia todo dia
E risonha digo ao sol...
Tu não queima mais que eu,
Sou tristonha mais feliz,
Nunca tive o que quis...

Me iludo com que tenho,
Me carrego de anseios...
Sou metade de alegrias,
Por inteira imensidão.

Turbilhão de intensidades,
Mas eu vivo de metades.
Quem diria que ironia,
Minha louca confusão.


terça-feira, 27 de abril de 2010

Mulher







Toda mulher nasce pro amor,
Sua peleia é a sina de sentir demasiadamente
Os segredos da paixão...

Já diziam que perde o rumo
Quando sangra o ventre,
E em desejos quentes

Queima o coração...

Que é um grande tolo, perdido e enroscado
Entre grades e enjaulado...
Esperando por uma fuga sem nexo,
Do lugar seguro que lhe acomoda,
O incomodo que lhe quer partir.

Ele te implora,
Dia após dia pra sair dali...
Ah mulher confusa, não lhe de ouvidos.
Esse órgão é burro...
Fuga é dor, é vida e morte...

É vagar em busca de algo abstrato
Num labirinto, vendado...
Se iludir com superficiais cheiros de rosas,
E furar o dedo em espinhos de veneno lento,
De delírios fortes e visões febris.

Escreviam os poetas de adocicadas almas
Como doí o abandono...
A mulher sempre chora e espera a volta
D'alma que abandona o corpo.
Nesse interminável clico sem fim...

Só lhe volta a calma quando te iludes
De novo por amor eterno...
Que vaga de hora em hora
Nesse confuso e imenso jardim.

Brota sem lei a flor do amor da mulher sem estação.
Mas o outono é lei na ciranda da flor,
Que sem mais nem menos encontra-se ao chão.

Chora mulher que nasceste de choro,
Ao sorrir a outra que lhe deu a luz...
Já nasceu gritando por destino triste,
Tens caminhos vagos e poucos afagos.

Não se desespere por tamanha angústia.
O destino é breve, deixe que te leve....
Tu te desabrochas, não fuja da hora desse amanhecer.
Pois um dia se acostuma a roda da vida que lhe fez nascer.

domingo, 25 de abril de 2010

Gozo Morto






Eram dois corpos quentes,
Latentes 
de desejo fluindo...
Mas agora desses corpos
Em êxtase v
ibrante de paixão,
Sobrou apenas o gozo morto
De fim de relação...

.
Arrependimento por desgosto, 
Não faz voltar o tempo, do amor que não voltou...
Tu pensaste antes de correr de mim,
Meu antigo corpo que esquentava o meu.

Hoje quem não faz faísca sou eu...
Depois que tu deixou apagar as chamas,
Não me engano com nenhum 
Fogo de palha, não me espalha.

Não me queima as paixões de corações,
Não danço em volta de fogueira.
Minha festa junina acabou em brigas
Comigo mesmo depois de ti.



segunda-feira, 19 de abril de 2010

Lágrimas





Poucas são as lágrimas...
Diante tamanha mágoa 
Que guardo junto ao peito.

Ainda hei de esquecer as dores,
Que em meu coração habitam.
Demolir a moradia de tanto sentimento inútil.

Meu semblante simpático e sorridente,
Enquanto o pranto continua...
Digo diariamente: - Não chore!


domingo, 18 de abril de 2010

Tanto Quis




Era triste e feliz te ter,
Pra pensar em ti, durante o dia. 
Durante a noite era um sonho,
Às vezes infeliz...

Te ver, e te ver partir
Hoje é um nada, não te ter aqui.
Parece que daqui nunca foi...
Amor que tanto quis.


sábado, 17 de abril de 2010

Curinga Perdido





Há cartas de baralho
Com personagens vivos

Pulando da minha janela...

Há maravilhas fantasiadas
Com nome de esperança

E eu não sei mais acreditar...

Pulo junto?
Ou fico estagnada...
Com o resto que já está.


Sinto cheiro de chiclete
No piscar de olhos 
que piscam aflitos.
Procurando me encontrar,
Ou me perder nessa doce aflição.


Continuo pedindo que o mundo conspire...
Há curingas na mesa do jogo que estou a jogar.
Horas em minha mão, horas em outro lugar.

Infelizmente em blefes há abismos...
Horas escorrego nessa escuridão,
Sinto que cansei dessa brincadeira...

Só queria um personagem que me mostrasse
A realidade, e me acompanhasse...
Que enfeitasse o vazio que sou obrigada a enfrentar...
Ainda tenho medo das cartadas incertas que a vida dá.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

O oco





Me deixei apaixonar
Por uma árvore seca,
E quem secou foi eu...

Dia após dia eu cantei canções de amor,
Para abençoar aquele maldito,
Que era pra mim o mais puro sentimento.

Eu chorei... Eu colhi o que plantei.
Eu plantei amor em um castelo de ilusões,
Que você soprou... Desmoronou.

Intenso o sentimento
Que foi embora sem dar adeus...
Partiu da mesma forma que apareceu.
Fugaz.

Deixou o mesmo de antes
Desse amor vazio...
O oco que ficou comigo.

Já não choro mais.. Secou.
Já não amo mais... Sequei.
Já não sinto... Ficou contigo
O sentimento que morreu comigo.

E sei que não é só seu
O vazio que você deixou...
Já o tinha antes de você partir.
Não lhe culpo por tal maldição.

Antes de você com seu amor vazio...
Eu já tinha esse oco a me acompanhar.