Quantas lágrimas caídas pela dor dessa ferida? Eu não sei dizer o quanto... Sangra! Suas mentiras tantas, me fizeram perder a confiança. Já não sei com quem me deito, Adormeço cá na dúvida, de lhe dar mais uma chance. Vale a pena meu amor, ou persisto em um erro? Não acredito em recomeço, mas insisto na mania. É vontade essa ânsia, é irritante a ignorância, De querer acreditar em mentiras que me conta. Eu repito o que me conta, E eu tento, tento tanto. Que me custa acreditar.
Sinto tão imensa falta Do que um dia foi pra mim... Que perdida na saudade Não consigo distinguir. O que é, se mudou, Transformou ou nunca foi... E ser então descoberta Minha grande ilusão de amor.
A tristeza é tão comum que já não tem intensidade... É curta, em curto tempo se transforma em calmaria. É difícil entender meu estado, minha calamidade... Me esforcei pra chorar até secar... Não chegou ao fim minhas lágrimas, Mas não consegui derrubá-las, não sumiu minha voz. Não tive forças para botar para fora o que apertava, Isso não é o fim da dor, é um modo diferente de sofrer. Modo pobre, de um sujeito nobre... Que com o coração em trapos Lamenta por não poder, e não pode! Eu não sei por que... Tão desesperado para se despedaçar, se esforça... Mas não sabe como tirar o que nele habita há tempos, Tem que continuar a se carregar, meio morto-vivo, um pé lá, um pé cá. É difícil se livrar dos fantasmas, Quando se está acostumado com essa companhia A lhe ombrear...
É difícil se livrar dos motivos que lhe dão esperanças De um dia sentado em um colo chorar, chorar, e chorar... E quem sabe se sentir aliviado o suficiente para tentar recomeçar.
Me alimento a fim de saciar essa fome. Não é de pão essa ânsia, Não é de doce a ganância... Essa cede não é de água, Nem é do vinho que me embriaga. O sono não me tira o fardo de cansado... Jurava que acabaria tal severa perseguição na fuga, Mas distante de ti ainda lhe encontro... Cá nas lembranças que me levam ao teu encontro. Distantes, tão próximos... Que em instantes trazem lado a lado, A mágoa de um amor mal acabado. Jurava que na fuga de mim Me tirava a saudade de ti, Mas no desencontro, eu o reencontro... No vazio em que esperava ao me abandonar, Achei a mesma tristeza do vazio, que me achou Depois da perda de lhe amar... Tentando recomeçar, perdido em meus pedaços, Lhe encontro integro em meu coração... No mesmo lugar, a me torturar.
Estive pensando em nós dois... Corta-me o peito quando partes, Perco-me em saudades que atropelam a noite. Toma-me em lembranças, Perco-me em esperanças De te ter sem fim..
Volte para mim sem ter hora de partir. Prenda-se a nossa cama, Juro lhe fazer feliz... Disponho de carinho eterno, Companhia alegre e amor bem leve, Tu terás de mim. Se tiver liberto do resto do mundo Siga o caminho, Que lhe espero o quanto, para fugir daqui.
Nas nuvens ecoam o som da morte, Ecoam sons de disparos covardes... Discórdia da guerra, alarde de início ao fim. Misericórdia pede toda gente, Dessa corja de porcos eloquentes, Nessa farda o sangue inocente. Ecoam as dores, lágrimas e gemidos, tantos sem abrigo, E roncam as barrigas de nossos filhos... Enlouquecedor os berros de fome de nossas crianças. Há tanta diferença nessa semelhança. Já se perdeu a integridade, depois de tamanha maldade E lutas contra vontade... Pátria mãe gentil, onde foi parar a sua gentileza? Que pátria é essa de bandeira triste? Que carrega choro e tanto desgosto... Passa os anos dentro, desse ventre incomodo... A se debater, a se agredir, a se defender, E não nasce vida, e não sai da lama. O povo chama, o povo clama, o povo grita!