quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Meio inteiro...


O amor é meio rima à toa,
Tentativa de poesia...
Literatura, novela das oito,
Meio música pela manhã.

Capturando no piscar de olhos...
Seu jeito nos afazeres mais simples.
Para assistir em um filme de repetir
Os detalhes de conhecer seus trejeitos.

O amor é meio clichê, meio brega,
Mas completamente feliz...
A ponto de matar de inveja,
Sujeito que não sabe ser bobo.

Não há linha de estrofe que caiba
A sorte desse sorrir carinhoso...
Do coração que encontrou motivo,
Junto ao coração do outro.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Tempo, tempo...


Tempo, tempo...
Pare de correr!
Sinto medo de me perder,
Num compasso que não sigo.

Pelos dedos escorrendo,
Vejo tempo que me foge...
Num piscar de coisa alguma,
Que não vi acontecer.

Pare de fugir!
Se me apresso, perco o fio.
Se espero, perco a hora,
Que enrola nos ponteiros
Do relógio que não para.

Pare de numerar!
Que pergunto a todo tempo,
Quanto tempo ainda tenho?
Pra perder me esperando.

Tempo, tempo...
Eu que fico enrolando...
Pra poder matar o tempo,
Ao invés de me achar. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Passou outubro...




Meu mês, 
De flores pelas calçadas,
Outono, calor e frio.
A chuva cai a tardinha,
E chega sem avisar.

Desde que nasci,
Te vejo todos os anos.
Ditou eu ser indecisa,
Ditou eu ser equilíbrio,
Ditou eu me balançar.

Voltei para te assistir,
De perto dos meus amores.
Seus dias são todos meus,
Cheguei pra te enfeitar...
Me libra!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Cantiga de setembro...



É primavera florescer de cores,
Entra setembro, e inicia o fim.
Conta os dias, roda a saia
Na cantiga de quintal.

Pula corda com varal,
Joga pedra na vizinha... 
Conta versos de mentira,
Canta tudo o que não tem.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Esquinas...



Princesa perdida entre o cinza
E o preto e branco das guias,
Equilibrando seus sonhos,
Com seus sapatos vermelhos.

Menina, com seus joelhos ralados,
De tantos tombos já dados...
Atravessando a avenida,
Lhe falta espaço entre os carros.

São luzes pra todo lado,
São postes virando a esquina.
Ela caminha entre as sombras
Da solidão pelos becos.

E se dispersa tão fácil,
Que já não sabe o que é.
Que já nem sabe onde vai...
Se resumia em seus sonhos 
E passos desajeitados.

domingo, 23 de agosto de 2015

Barulho de Mar...




Esse barulho de mar que é a calma, e é também o medo.
É um frio na barriga, o barulho de onda 
renovando as águas...
Guardando as passadas, assim como a vida
e as nossas memórias.

Sentei na sacada...
Pra me ouvir nessa imensidão
de medos passados e medos futuros...
Coragem insana, que move e me afoga.

E por um momento na falta de tempo eu pude ver...
O quanto respirei nessa falta de ar,
O quanto sou sobrevivente entre os meus naufrágios...
No meio do mar, o mar que me afoga!
Me mata e me salva do morto.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Tempo nublado...




Às vezes eu queria escrever uma crônica bonita...
Dessas de verão, de saia rodada entre as flores.
Mas é que eu perco o sono, eu fumo demais,
E me incomoda o barulho da goteira da pia.

No mais, eu nem gosto do verão...
Eu só queria escrever uma crônica distraída,
Pra contrastar com o cansaço de quem pensa demais,
No meio do cotidiano cinza.